sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Obrigado pela vossa mediocridade

http://3.bp.blogspot.com/_4SDxQW10vNA/SfHa8c46hEI/AAAAAAAAAyM/3A3a9N4T5No/s400/a+corja.jpg
Como saiu hoje no jornal i, uma fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro disse que uma alta individualidade do Banco Central Europeu esteve em Portugal entre 28 e 29 de Setembro para direccionar "secretamente" o governo na elaboração do Orçamento do Estado de 2011. O BCE nega.
Mas o facto é que no dia 29 de Setembro, ao início da noite, o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, apresentaram as linhas mestras daquele que, caso seja aprovado no parlamento, será o plano anual mais violento de sempre para reduzir o défice e o mais duro da zona euro.
E também facto é que, nos últimos meses, a pressão (de origem especulativa) sobre Portugal tem aumentado de forma visível, (tal como em Maio levando à aplicação do PEC) atingindo níveis insustentáveis nas taxas de juro cobradas, o que já superaram os 6%, valor que está a escassas décimas do limite estabelecido pelo ministro das Finanças que se a taxa chegar aos 7%, Portugal terá de recorrer ao fundo conjunto do FMI/UE.
Outro facto é que os grandes banqueiros demonstram, desta vez ás claras, o seu poder exercendo papel de pressão, junto dos decisores politicos (lider do maior partido da oposição e ministro das finanças) no sentido da aprovação deste orçamento castrador dos rendimentos mais baixos. Neste orçamento a aprovar existe uma taxa extraordinária de 0,01 e 0,05 por cento que incidirá sobre o passivo das instituições bancárias. Taxa que constituindo um custo na contabilidade dos bancos, será dedutível para efeitos de apuramento da sua factura de IRC! e o qual, António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos já garantiu que serão os clientes dos respectivos bancos que a pagarão! De lembrar que os bancos continuam a pagar uma taxa efectiva de IRC de cerca de metade do que paga o merceeiro da esquina. Nos últimos dez anos ficaram nos bolsos dos bancos dez mil milhões de euros de impostos não pagos, o maior assalto que a economia portuguesa já conheceu.

Outro facto que rodeia a aprovação o OE 2011 (aliás, todo o panorama politico) é a dança dos partidos da maioria PS/PSD que diferença de conteúdo nada têm. Um impasse que tem sido diariamente oferecido ao país onde as diferenças politico-ideológicas dos dois partidos deixaram sequer de ser questionadas.
Existem aliás estudos empíricos que têm vindo a demonstrar a proximidade excessiva entre os referidos partidos. (ver André Freire, Esquerda e Direita na Política Europeia, ICS, 2006).

Por fim uma homenagem a todos estes grandes senhores que dos nossos interesses fazem pão podre servido diariamente como alimento em horário nobre.

Poema de agradecimento à corja - Joaquim Pessoa

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Sem comentários:

Enviar um comentário