segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A rebelião do Douro


Se olhamos para o céu é provável que encontremos alguma coisa: como uma gaivota
voando até o mar, duas nuvens a jogar com o vento, o sol a inflamar os espíritos dos planetas, algumas outras estrelas a fazer brincadeiras com os destinos do tempo, um
avião com problemas de intestinos, e assim… Mas o que aconteceu num dia qualquer
não foi precisamente no céu. Estava na paragem de autocarro para voltar a minha casa
logo de trabalhar varias horas. Em frente da paragem corria o rio Douro. Ele não parava de fluir, ao contrário eu ficava calmo e praticamente sem mover um osso. Era uma noite que estava a pingar, como se o mesmo rio houvera-lhe pedido aos pães da chuva um pouco de água para beber.
O rio Nilo em Africa, ou o Amazonas e o Rio de la Plata em América do Sul, o
Mississipi em América do Norte, ou Coco em centro América, ou Amarelo em Ásia, ou
o Volga em Europa são uma expressão de como o rio vai em procura da liberação.
Já estava quase a vir o autocarro, quando de repente o Douro voltou para suas origens. Se, o Douro deu marcha trás. Por um momento não podia crê-lo mas depois de
minutos de observar como o Douro voltava, pensei: para que quisera voltar? Não é
que o rio se libera no mar? Não posso imaginar um rio preso, e menos um rio preso de
si mesmo. Acho que ele, nas suas profundidades faz isso, mas nos não podemos olha-lo, mas quando chove pode acontecer que as águas subam e então é a oportunidade de descobrir o que sucede com o verdadeiro Douro. Agora que penso um bocado mais,já sei porquê a região do Douro tem muito bom vinho. Quando ele faz o seu regresso,
deitasse nas terras, portanto os vinhedos chupam seu sangre de rio, e assim, depois de ser rio transformasse numa uva.
Acho que tenho um vinho do Douro no armário da cozinha, o rio Douro no armário da
cozinha?

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